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Aflitos, o primeiro livro do Jean Wyllys, lançado em 2001 pela Fundação Casa de Jorge Amado e Copene, foi resultado de um concurso que o Jean venceu.


Veja mais informações sobre o livro Aflitos na reportagem abaixo:


Seu mais recente livro “Ainda Lembro”, conta suas experiências na casa do Big Brother Brasil 5

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Jean Wyllys
"O meu livro é para espíritos livres" - Reportagem extraída do Jornal Correio da Bahia
 

Êxito comercial da Editora Globo, Ainda lembro, o segundo livro do professor baiano Jean Wyllys, 31 anos, será lançado em Salvador na próxima segunda-feira (Livraria LDM, na Piedade) e na terça, 28 (Vídeo Hobby, Pituba). O vencedor da quinta edição do Big Brother Brasil também passará por Feira de Santana (dia 29) e Alagoinhas (dia 30). Em Ainda lembro, Jean reflete sobre temas como família, memória e o confinamento no BBB5, além de reproduzir textos de Aflitos, coletânea de contos que publicou em 2001. O brother carismático, que deixou a casa do Big Brother rico, famoso, admirado e sem arranhões, comemora a repercussão do livro, um dos mais vendidos atualmente no país. Parte da imprensa, porém, não gostou da obra. Nesta entrevista ao Folha, Jean - que parou de andar com seguranças, como nos primeiros dias fora do confinamento - rebate as críticas e diz: ``Os orientadores do `bom gosto´ não vão me derrubar".

FOLHA - Em Ainda lembro, você inclui a novelista Glória Perez na lista de suas autoras preferidas, da qual fazem parte nomes como Clarice Lispector, Hilda Hilst e Cecília Meirelles. Foi uma pirraça para quem não entende como um professor universitário, que se define como um intelectual, pode gostar tanto de novelas, axé music e reality shows?

JEAN WYLLYS - Sim, trata-se de uma provocação. Sei que, a princípio, muitos professores universitários, indignados com o fato de haver um intelectual no BBB, questionaram minha formação e torceram contra. Quando a maioria dos brasileiros se encantou por mim, eles optaram pelo silêncio. Jogaram fora a oportunidade de discutir qual o papel do intelectual na contemporaneidade, na sociedade do espetáculo e do entretenimento; desperdiçaram a chance de discutir de que forma podemos colaborar, efetivamente, para fortalecer a democracia e ampliar o espaço da cidadania; a chance de pensar formas de devolver ao povo o conhecimento que ele nos ajuda a produzir financiando nossas pesquisas com seus impostos. Houve honrosas exceções. Renato Janine Ribeiro, Roberto DaMatta e Zuenir Ventura são algumas delas.

F - A afirmação "quero ser Paulo Coelho" (página 15) também foi uma provocação?

JW - Sim. Paulo Coelho é um fenômeno de público, mas é desprestigiado pela intelligentsia brasileira, por aqueles que tramam o cânone literário. Ora, se milhares de pessoas trocam João Guimarães Rosa por Paulo Coelho, isso não pode ser considerado um mero equívoco por gente que se julga especial por consumir livros, discos e filmes caros e para poucos. A gente não pode esquecer que nenhum escritor nasce bom ou já conhecido do público; ele é considerado bom e se torna famoso segundo certos critérios, que mudam no tempo e no espaço. Durante muito tempo, nenhuma mulher foi considerada escritora porque os critérios eram machistas, se é que eles deixaram de ser. Paulo Coelho só é considerado um escritor ruim segundo certos critérios elaborados por gente que faz distinções culturais para sustentar seus privilégios.

F - Que material o livro oferece para conquistar quem se interessa por literatura, mas despreza o Big Brother?

JW - O meu livro não é para quem faz esse tipo de distinção. O meu livro é para espíritos livres, para gente que não está paralítica da imaginação, que não vive se guiando por orientadores de bom gosto e estetas. É possível e plausível que alguém goste de ler Balzac, assista a telenovelas e escolha um candidato para torcer num reality show. Eu faço isso desde que me entendo por gente. Sempre achei um desaforo uma minoria considerar o que os pobres gostam menor, inferior, baixo.

F - Muita gente deve ter comprado Ainda lembro esperando encontrar comentários mais impactantes sobre sua presença na casa do BBB. A atenuação da polêmica não corre o risco de frustrar seus admiradores?

JW - Não. Quem me admira a partir do que viu na casa do BBB sabe que jamais escreveria um livro assim, de fofocas. E quem já me conhecia antes de entrar na casa e sabe que sou escritor e jornalista não pode esperar um livro de revelações bombásticas. Eu sou um escritor e um homem de comunicação que não se julga melhor que o restante das pessoas. Foi esse fato que encantou os telespectadores e já encantava meus alunos, amigos e colegas de trabalho.

F - Você teme que o pouco tempo de maturação do livro e a pressa que a Editora Globo teve de lançá-lo prejudiquem seu próximo projeto literário?

JW - Não. Sei que, a despeito do tempo em que foi concluído, o livro tem qualidade, serve de entretenimento e politiza a existência. Essa questão do tempo é um fantasma que vive sendo evocado pela imprensa para desqualificar Ainda lembro. O livro já vinha sendo maturado em mim, isso é o que importa. A escrita da primeira parte é que durou 20 dias. Foram 20 dias dedicados apenas a isso. Se o tempo fosse critério para julgar uma produção literária, o texto jornalístico não serviria nem para papel higiênico. E eu posso falar isso porque passei seis anos de minha vida escrevendo uma média de duas matérias por dia.

F - O que a sensação de ser vidraça tem lhe provocado?

JW - Nenhuma sensação especial. Ainda lembro é um sucesso de público. Uma semana depois de lançado, ele entrou nas listas de mais vendidos das revistas semanais. O curioso é que foi justamente esse fato que levou os segundos cadernos até Ainda lembro. Antes, eu era invisível aos olhos deles. A crítica - se é que a gente pode chamar assim aquelas opiniões publicadas em jornal - tem recebido mal Ainda lembro. Mas eu já esperava por isso. Há, nessa postura, um misto de rancor, ressentimento e inveja. Não precisei pedir a bênção à intelligentsia paulistana e carioca para entrar na disputa por um espaço na indústria cultural. Os orientadores do "bom gosto" não vão conseguir me derrubar. Suas críticas não chegam ao povo e só servem para alimentar as tediosas conversas de bares e a maledicência de gente não premiada pela vida.

F - Uma dessas críticas diz respeito ao número de citações de trechos de canções e livros, considerado excessivo...

JW - A resposta a essa crítica está em meu próprio livro. O crítico esqueceu de dizer que o título do livro também é uma citação. Não quero ser inaugural nem original. Não acredito em originalidade. Todo texto é um intertexto e não há palavra que não tenha sido dita. E vou parafrasear Adriana Calcanhotto para não sair do tom: minha literatura não quer ser útil, não quer ser moda, não quer nascer pronta; não quer redimir mágoas nem dividir águas; não quer traduzir, não quer protestar; quer ser de categoria nenhuma; minha literatura não quer pouco.

F - No meio desse turbilhão, sua vaidade tem brigado muito com sua lucidez?

JW - Não. Continuo lúcido, "na arquibancada, pra a qualquer momento ver emergir o monstro da lagoa". E tome citação!

F - Você tem um temperamento forte, é crítico, passional e até mesmo ácido na hora de defender um ponto de vista. Em que momentos essa personalidade foi freada em nome da sobrevivência no BBB?

JW - Em momento algum. As pessoas atiraram pelas costas. Ninguém teve coragem de me atacar frontalmente. Se o fizesse, saberia me defender. Seria duro, mas não perderia a ternura, pois nunca a perco. Minha arma seria o fio da palavra e da ironia. Quem teve sensibilidade percebeu que fui irônico algumas vezes, quando me senti acuado. Quando nos vestimos de drag, eu disse para Alan que me sentia Geni, a personagem de Chico Buarque. Para o bom entendedor, pingo é "i"...

F - O que teria levado quase metade do público a querer a vitória de Grazi, a vice-campeã do programa?

JW - Não sei ao certo, mas posso apostar que as pessoas se encantaram com o carisma de Grazi. Ela é linda e do bem. E não é gay. E é branca. E está mais próxima de uma idéia de bem e de beleza alimentada historicamente no imaginário do ocidente.

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ficha

Livro: Ainda lembro

Autor: Jean Wyllys

Editora: Globo

Preço: R$14,90

 
 
     

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